Haiti sim, Irã não
Por Fernando M. Lopes (*)
Mahmud Ahmadinejad, boçal ditador do teocrático Irã, veio e foi. Ficou 24 horas no Brasil a troco de nada. Desafiamos a comunidade internacional recebendo como visitante amigão um assassino financiador do terrorismo, por puro capricho de nosso presidente. Não ganhamos nada, e perdemos muito.
Não se trata de fomentar algo que a Stasi presidencial chama de “imprensa golpista”, como lembrou um irônico (mas educado) e-mail q recebi há semanas; porém é necessário reconhecer uma peculiaridade do presidente: é bom aprender com os erros, mas Lullla não aprende nem com os raros acertos.
Tomemos o caso do Haiti, a única vitória incontestável de nossa desastrosa política internacional. O Exército brasileiro comanda as tropas da ONU naquele país desde 2003 com estrondoso sucesso; uma tarefa que os americanos recusaram e os franceses nos passaram às pressas, como uma batata quente. Enfim, uma brilhante vitória do nosso governo, a única dos últimos anos. É o tipo de trabalho reconhecido pelo mundo, à maneira do saudoso Sérgio Vieira de Melo, diplomata como poucos.
Todas as outras tentativas de se impor no cenário externo fracassaram: O sonhado assento no conselho de segurança da ONU continuará sendo um sonho; ajudamos a China a prostituir nosso mercado com quinquilharias de quinta categoria, enquanto eles nos aplicam dumping cambial; Lullla acusou a Suíça de ser “racista”, mas alega que a Venezuela, um estado totalitário, sofre de “excesso” de democracia; fomos espoliados, roubados e enganados por praticamente todos os nossos vizinhos; ditaduras são apoiadas pelo Brasil, da Coreia do Norte ao Zimbábue, sem contar o apoio ao Hamas. Tratamos criminosos internacionais como turistas amigos (Cesare Battisti que o diga), e expulsamos refugiados (lembram dos boxeadores cubanos Lara e Rigondeaux?) para que recebam tortura e degradação. Nosso ministro da Justiça tem a petulância de agredir a Itália, nos colocando na maior crise internacional com um governo europeu desde o episódio da “guerra da lagosta” com a França, em 1961 (quando se atribuiu erroneamente a De Gaulle a frase “o Brasil não é um país sério”, cunhada por um assessor do francês).
Ah, sim; Ahmadinejad: Fraudou descaradamente as eleições desse ano no Irã, mandou matar (até agora) cerca de 170 pessoas que ousaram reclamar da fraude (sem contar as prisões ilegais e a tortura generalizada), prega a destruição de Israel, financia o terrorismo internacional, nega o Holocausto, prende homossexuais e cristãos... e é recebido aqui com beijos e abraços, sob a justificativa de melhorar o comércio bilateral e buscar a paz entre árabes e judeus. Minha mãe do Céu; essa pegou na canela. Ou até em região anatômica masculina de maior sensibilidade. O Irã é um país falido que tenta se impor pela violência do terrorismo e da dissuasão nuclear. Tem pouco (ou nada) a nos oferecer economicamente, e certamente muito menos do que países democratas, cultos e ricos que teimamos em agredir, como a Suíça e a Itália. Sobre o alegado processo de paz, é bom lembrar que os iranianos não são árabes, seu país não faz fronteira com Israel, e é de se duvidar que Lullla possa apontar a Cisjordânia no mapa, quanto mais saber o que ela é ou porque está em poder dos israelenses. Seria esse o homem indicado para intermediar algo que envolve muito mais do que simples boa vontade? Isso é trabalho para um homem que chamou os líbios de “libaneses”, os sauditas de “turcos” e oferece cachaça para líderes muçulmanos e disse ao presidente de Israel que devem cessar os assentamentos de colonos judeus em área de litígio? Isso não traz prestígio; só expõe nossas fraquezas, e de uma forma ridícula, pela revelação de total despreparo.
Do alto dessa espantosa ignorância, nosso presidente acredita que política internacional depende de suas opiniões e cachaça, como acontecia na liderança sindical. Ele e os barbudinhos itamaratecas acham que o simpático exotismo é suficiente para resolver problemas que ele nem ao menos conhece. Por que não age como no Haiti? Com planejamento e cautela, ouvindo especialistas? Seria vitória certa, e o merecido reconhecimento viria em pouco tempo. O caso em Honduras é emblemático: Ignorando o mundo, patrocinamos uma palhaçada acolhendo Zelaya em nossa embaixada para agradar Hugo Chávez, e até Barack Obama criticou nossa ginga bêbada, irrefletida, incauta, jeca. O “cara” agora é o “ex-cara”.
Claro que a lulllada encara qualquer crítica como antipatriótica; não explica nada, mas tem desculpa pra tudo. É o subperonismo à moda da casa, e sem Evita. Ou melhor, com uma Evita que é a cara do Brasil. Por outro lado, a turma mensaleira afirma que os “golpistas” ignoram a imprensa de fora. Engraçado; quando a imprensa mundial os metralhava, era bandidagem dos porcos conservadores. Agora, são nobres jornalistas reconhecendo um trabalho genial. Ou seja: Podem falar dellle, desde que seja bem. Muito bacana.
A alegre recepção do iraniano oligofrênico foi repudiada por quase toda a imprensa mundial. Noves-fora uma matéria (assinada, não representando a opinião do jornal) no francês Le Monde, as publicações de relevo no mundo reprovaram a festinha. Pois é; jornais e revistas serão instrumentos malignos do capitalismo mundial até publicarem algo que agrade de novo à Stasi brasuca. Por favor... menos Irã e mais Haiti. Aprender com os acertos, repetindo-os, é retorno é garantido, além do mínimo que se espera de um governante minimamente equilibrado. Só manchete (depreciativa) não resolve. Essa gente não discerne La Stampa, La Prensa ou The Times da revista Caras. E pra que ler um jornal que não dá faqueiro?
*****
Ideia ao povo e ao governo da Itália: Querem receber Battisti acorrentado em 24 horas? Basta cancelar a cidadania italiana concedida à excelentíssima companheira Marisa e aos filhos dessa senhora. Satisfação garantida ou recebam os passaportes de volta.
(*) advogado e professor universitário, especializado na área criminal.
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário